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Sem Remetente
Victhória Nunes, dezoito anos. Pseudo-escritora, pseudo-dramática, pseudo-humana e mais uma infinidade de pseudos.

Mi hermosa,

Me ensina como faz para enganar o coração? Lembrei do dia em que te conheci e me deu uma vontade tão grande de te escrever. Não adianta, não consigo te tirar de mim. Lembro de te ver e me perguntar o que você, tão pequena, fazia perdida nessa cidade grande. Depois notei que pequena demais era a cidade comparada ao tamanho do seu coração. Coração grande aquele que me cedeu um cantinho só pra mim sem nem pedir nada em troca. Era tudo tão doce, tão doce, tão doce, tão doce… Só que deu cárie. Puxamos demais o nosso laço e ele acabou virando um nó cego. Um nó cego disfarçado de ponto final. E olha que ironia, agora é tudo tão amargo. Eu assumo, Alzira: rasguei todas as nossas fotos e as fiz de lenha para essa fogueira agridoce. Depois guardei as copias em baixo do meu travesseiro enquanto o afagava procurando por algum indício do seu cheiro, mas só encontro a sua ausência do lado esquerdo da cama.Ontem passei por aquela lanchonete de esquina em que costumávamos tomar café nos sábados gelados e, pelo vidro transparente, te vi conversando com algum rapaz de sorte enquanto tomava o seu chocolate quente com cubinhos de marshmallow. É, eu reconheceria o tom de verde dos seus olhos em qualquer lugar. Verde-esmeralda-Alzira, minha cor preferida. Cor preferida que naquela hora cintilava para um cara sortudo que não era eu. Vou te confessar, Alzira: minha vontade era entrar lá, agarrá-lo pelo colarinho daquela camisa ridícula e jogá-lo no meio da rua por estar olhando com tal desejo pro meu verde-esmeralda-Alzira. Mas não o fiz. Em vez disso peguei no bolso o maço de cigarros e me peguei repetindo mentalmente pra mim mesmo “Cadê a porra do meu isqueiro? Não importa, parei de fumar. Cadê a porra do meu isqueiro? Não importa, não fumo há três semanas. CADÊ A PORRA DO MEU ISQUEIRO?”. Atravessei a rua e entrei naquele botequim fuleiro do balconista parrudo, se lembra? Comprei uma caixinha de fósforo e te traguei. Traguei, traguei, traguei, traguei. Traguei até quase me asfixiar com tamanha saudade que eu sentia da sua pele na minha. Depois pedi uma dose de uísque e te bebi. Uma, duas, três, quatro, dez. Tô com ressaca até agora, Alzira.Sabe, eu tinha me conformado em sobreviver com aquela falta-de-alguma-coisa, mas aí você apareceu. E aí você se foi. E agora nada mais se encaixa. Virou falta-de-você, Alzira. E agora eu fico por aí, atravessando a rua com meus passos bêbados, procurando algum vestígio de você em todas as pessoas que eu esbarro. Procurando alguem para preencher esse vazio que você deixou dentro de mim. Mas nada encaixa.O tempo não abre. Lá fora uma tempestade e aqui dentro só algumas gotinhas de você transbordando pelos meus olhos por causa da saudade que já é maior que eu. Já faz tanto tempo, Alzira. Porque não desatamos aquele nó e o transformamos em vírgula? Reticências, exclamação, ponto e vírgula, aspas, interrogação, dois pontos. Tudo. Qualquer coisa. Só não ponto final, assim, no meio dessa história que tem tanta página em branco pela frente. Pensa bem.Encerro essa carta com um “se cuida, pequena” com aquele ar de “se deixares eu te cuido, pra sempre”.

PS: Eu continuo a te escrever canções.

Com (muito) amor,Seu Dom Juan de araque.

(sem-remetente)


Mi hermosa,

Me ensina como faz para enganar o coração? Lembrei do dia em que te conheci e me deu uma vontade tão grande de te escrever. Não adianta, não consigo te tirar de mim. Lembro de te ver e me perguntar o que você, tão pequena, fazia perdida nessa cidade grande. Depois notei que pequena demais era a cidade comparada ao tamanho do seu coração. Coração grande aquele que me cedeu um cantinho só pra mim sem nem pedir nada em troca. Era tudo tão doce, tão doce, tão doce, tão doce… Só que deu cárie. Puxamos demais o nosso laço e ele acabou virando um nó cego. Um nó cego disfarçado de ponto final. E olha que ironia, agora é tudo tão amargo. Eu assumo, Alzira: rasguei todas as nossas fotos e as fiz de lenha para essa fogueira agridoce. Depois guardei as copias em baixo do meu travesseiro enquanto o afagava procurando por algum indício do seu cheiro, mas só encontro a sua ausência do lado esquerdo da cama.
Ontem passei por aquela lanchonete de esquina em que costumávamos tomar café nos sábados gelados e, pelo vidro transparente, te vi conversando com algum rapaz de sorte enquanto tomava o seu chocolate quente com cubinhos de marshmallow. É, eu reconheceria o tom de verde dos seus olhos em qualquer lugar. Verde-esmeralda-Alzira, minha cor preferida. Cor preferida que naquela hora cintilava para um cara sortudo que não era eu. Vou te confessar, Alzira: minha vontade era entrar lá, agarrá-lo pelo colarinho daquela camisa ridícula e jogá-lo no meio da rua por estar olhando com tal desejo pro meu verde-esmeralda-Alzira. Mas não o fiz. Em vez disso peguei no bolso o maço de cigarros e me peguei repetindo mentalmente pra mim mesmo “Cadê a porra do meu isqueiro? Não importa, parei de fumar. Cadê a porra do meu isqueiro? Não importa, não fumo há três semanas. CADÊ A PORRA DO MEU ISQUEIRO?”. Atravessei a rua e entrei naquele botequim fuleiro do balconista parrudo, se lembra? Comprei uma caixinha de fósforo e te traguei. Traguei, traguei, traguei, traguei. Traguei até quase me asfixiar com tamanha saudade que eu sentia da sua pele na minha. Depois pedi uma dose de uísque e te bebi. Uma, duas, três, quatro, dez. Tô com ressaca até agora, Alzira.
Sabe, eu tinha me conformado em sobreviver com aquela falta-de-alguma-coisa, mas aí você apareceu. E aí você se foi. E agora nada mais se encaixa. Virou falta-de-você, Alzira. E agora eu fico por aí, atravessando a rua com meus passos bêbados, procurando algum vestígio de você em todas as pessoas que eu esbarro. Procurando alguem para preencher esse vazio que você deixou dentro de mim. Mas nada encaixa.
O tempo não abre. Lá fora uma tempestade e aqui dentro só algumas gotinhas de você transbordando pelos meus olhos por causa da saudade que já é maior que eu. Já faz tanto tempo, Alzira. Porque não desatamos aquele nó e o transformamos em vírgula? Reticências, exclamação, ponto e vírgula, aspas, interrogação, dois pontos. Tudo. Qualquer coisa. Só não ponto final, assim, no meio dessa história que tem tanta página em branco pela frente. Pensa bem.
Encerro essa carta com um “se cuida, pequena” com aquele ar de “se deixares eu te cuido, pra sempre”.

PS: Eu continuo a te escrever canções.

Com (muito) amor,
Seu Dom Juan de araque.

(sem-remetente)

(via sem-remetente)


awn que gracinha de cachorro

ME NAMORA

awn que gracinha de cachorro

ME NAMORA

(via soprosdovento-deactivated201111)

11:23pm

Why so far?

Ah, menina. Eu estive te observando por tantos dias, tenho a impressão de que te vi chegar, mas parece que não foi real. Eu não sei de onde você veio, mas não importa, desde que você fique por aqui. Deixa eu te perguntar uma coisa: tem lugar pra mim em meio aos seus abraços? Confesso que sou uma bagunça, mas a minha solidão tem me enlouquecido tanto, tanto, tanto. Não dá mais pra ficar só. 
Sabe, vez ou outra lembro-me da sua voz e ouço ela cantando aquela canção de amor que eu fiz pra ti. Quando isso acontece eu me perco em um monólogo mental e, com um lápis imaginário, vou esboçando por cima dele o nosso possível final feliz. Depois me falta o ar. Eu sei, sou tão clichê.
Ah, menina. Me diga aquelas tais palavras mágicas que eu te levo até às estrelas e te trago de volta. Uma, duas, três, mil vezes. Existem tantas coisas que eu gostaria de te dizer, mas não faço ideia de como começar. Logo eu que nunca gosto de nada, gostei tanto assim de você. Será que você vale o risco?
Digamos que encontrei a resposta na hora em que você sorriu.
(sem-remetente)


Ah, menina. Eu estive te observando por tantos dias, tenho a impressão de que te vi chegar, mas parece que não foi real. Eu não sei de onde você veio, mas não importa, desde que você fique por aqui. Deixa eu te perguntar uma coisa: tem lugar pra mim em meio aos seus abraços? Confesso que sou uma bagunça, mas a minha solidão tem me enlouquecido tanto, tanto, tanto. Não dá mais pra ficar só. 

Sabe, vez ou outra lembro-me da sua voz e ouço ela cantando aquela canção de amor que eu fiz pra ti. Quando isso acontece eu me perco em um monólogo mental e, com um lápis imaginário, vou esboçando por cima dele o nosso possível final feliz. Depois me falta o ar. Eu sei, sou tão clichê.

Ah, menina. Me diga aquelas tais palavras mágicas que eu te levo até às estrelas e te trago de volta. Uma, duas, três, mil vezes. Existem tantas coisas que eu gostaria de te dizer, mas não faço ideia de como começar. Logo eu que nunca gosto de nada, gostei tanto assim de você. Será que você vale o risco?

Digamos que encontrei a resposta na hora em que você sorriu.

(sem-remetente)

(via atrios)

(via ultrajes)

(via recitar)

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